- The Circle
This is how it feels to be lonely.
This is how it feels to be small.
This is how it feels when the world means nothing at all.
- Robin Hood
When your life is a mess light one more cigarette
It's so logical.
(...)
And when nightmares come
I will try to be fun, even though
I'm so scared you know.
sexta-feira, 27 de Novembro de 2009
sexta-feira, 20 de Novembro de 2009
Moon

Confesso que a ficção científica não me fascina. Posso mesmo afirmar, com relativa segurança, que tirando Star Wars (nos seus primórdios) nunca tive muita curiosidade pelo género.
Mas, e há sempre um mas, movido pelas criticas que li (aqui, aqui e aqui) dei por mim com muita curiosidade em relação a este Moon. Ainda para mais quando do elenco fazia parte Sam Rockwell (actor que sempre me caiu bem), tendo ainda a participação (voz) de Kevin Spacey.
Pouco sabia sobre o filme, ignorava até que o realizador, Duncan Jones, era filho de David Bowie, e também desconhecia que o magnífico Clint Mansell (habitual colaborador de Aronofsky) emprestava o seu talento na banda sonora.
Foi assim, com algum cepticismo pelo género da obra mas igualmente reconfortado pelas boas referências que trazia, que entrei no cinema (no único em que está em exibição no Porto...). E não me arrependo.
Sim, Moon é ficção científica, não há como o negar. No entanto, é, julgo eu que não conheço bem o género, outro campeonato.
É filosófico, introspectivo, poético e, acima de tudo, é bem feito. Sem grandes artifícios visuais, com uma música fenomenal de Mansell (com destaque para a belíssima Memories) e com um extraordinário Sam Rockwell, num verdadeiro tour de force digno de realce.
Em Moon tudo é temporário, tudo é frágil.
É o futuro moldado ao nosso presente.
É a solidão, a incerteza e a fragilidade humana.
É simples, sombrio e arrebatador.
É diferente.
É cinema!
quarta-feira, 18 de Novembro de 2009
(500) Days of Summer

É oficial.
O Juno deste ano não chegou até nós.
O que se compreende. Há que dar lugar aos filmes que merecem e se o Whatever Works não estreia (e sim, está ali numa pasta à espera que ganhe coragem para cometer o crime...) porque raios haveria de estrear aquela que, tudo indica, é apenas mais uma comédia romântica? Sim, mais uma dessa praga que nos assola ano após ano.
Fizeram bem, os senhores que tomaram a decisão, assim evita-se um culto desnecessário e uma massificação do gosto popular. Eu, pela minha parte, fico feliz. Posso sempre dizer que gostei muito de um filme "tão mau que nem estreou cá"... E isso, parecendo que não, dá um ar de marginalização a que estou habituado.
Afinal, quem gosta/conhece Ocean Colour Scene?
Pode um filme valer por um somatório de cenas? Pode um filme valer por um conjunto de músicas? Pode um filme condensar tudo aquilo que o mundo conhece numa simples história? Pode um filme ser tão bem filmado e com um argumento tão inteligente que nos deixa com aquela sensação de "fogo, que domínio!"?
Pode um filme pecar no seu final, quando parecia que ia pelo bom caminho, e mesmo assim não conseguirmos falar mal dele? Pode um filme ter um narrador e não ganhar com isso?
E será que a diferença "realidade/expectativa" alguma vez foi mostrada assim, como deve ser? Será que a música "Us" de Regina Spektor foi escrita antes do filme já a pensar nele, assim como que por magia? E será que os senhores do Ikea estão preparados para o que vem aí?
Será que eu estou afectado por todo este hype à volta do filme e estou a ver mal? Será verdade que a LA de Marc Webb me faz lembrar a Manhattan de Woody Allen? Estaremos, no futuro, perante um Annie Hall dos nossos dias?
Será que as almas gémeas não existem mesmo? Que o acaso não faz parte da ementa?
E é mesmo verdade que depois do Verão aparece sempre o Outono? Não estarão as alterações climáticas a estragar a lógica?
Não sei. Veremos...
O Juno deste ano não chegou até nós.
O que se compreende. Há que dar lugar aos filmes que merecem e se o Whatever Works não estreia (e sim, está ali numa pasta à espera que ganhe coragem para cometer o crime...) porque raios haveria de estrear aquela que, tudo indica, é apenas mais uma comédia romântica? Sim, mais uma dessa praga que nos assola ano após ano.
Fizeram bem, os senhores que tomaram a decisão, assim evita-se um culto desnecessário e uma massificação do gosto popular. Eu, pela minha parte, fico feliz. Posso sempre dizer que gostei muito de um filme "tão mau que nem estreou cá"... E isso, parecendo que não, dá um ar de marginalização a que estou habituado.
Afinal, quem gosta/conhece Ocean Colour Scene?
Pode um filme valer por um somatório de cenas? Pode um filme valer por um conjunto de músicas? Pode um filme condensar tudo aquilo que o mundo conhece numa simples história? Pode um filme ser tão bem filmado e com um argumento tão inteligente que nos deixa com aquela sensação de "fogo, que domínio!"?
Pode um filme pecar no seu final, quando parecia que ia pelo bom caminho, e mesmo assim não conseguirmos falar mal dele? Pode um filme ter um narrador e não ganhar com isso?
E será que a diferença "realidade/expectativa" alguma vez foi mostrada assim, como deve ser? Será que a música "Us" de Regina Spektor foi escrita antes do filme já a pensar nele, assim como que por magia? E será que os senhores do Ikea estão preparados para o que vem aí?
Será que eu estou afectado por todo este hype à volta do filme e estou a ver mal? Será verdade que a LA de Marc Webb me faz lembrar a Manhattan de Woody Allen? Estaremos, no futuro, perante um Annie Hall dos nossos dias?
Será que as almas gémeas não existem mesmo? Que o acaso não faz parte da ementa?
E é mesmo verdade que depois do Verão aparece sempre o Outono? Não estarão as alterações climáticas a estragar a lógica?
Não sei. Veremos...
terça-feira, 17 de Novembro de 2009
Almost Famous
Do já longínquo ano de 2000 recupero hoje um filme a que, no devido tempo, não dei o valor adequado.
Revi-o recentemente e, sem surpresa, constatei que é um filme "do caraças". Assim mesmo, do caraças.
Estamos nos anos 70 e, como diz uma personagem, "it's all happening". Não temos dúvidas disso. Cameron Crowe faz o suficiente para que não nos esqueçamos.
Simples, auto-biográfico até, Almost Famous são os 70's pelos olhos de quem os viveu. Cheios de cor, mudanças, dúvidas e, claro, música.
Crowe consegue, com um argumento aparentemente simples, transmitir tudo aquilo a que se propõe, dando aos seus personagens, a todos sem excepção, todo o tempo que necessitam para que os compreendamos. E como os compreendemos.
Obviamente que o trabalho de direcção de actores é muito competente, com destaque para Patrick Fugit, mas são os veteranos, ou pensando bem nem tão veteranos assim, quem domina o ecrã.
Kate Hudson no seu melhor (único...) papel de sempre; Frances MacDormand austera e calorosa na mesma medida e um espantoso (surpreende?) secundário que só poderia pertencer ao magnífico Philip Seymour Hoffman. A todos eles Almost Famous tem que agradecer.
Composto por várias camadas, que vamos descobrindo enquanto acompanhamos a ascensão do personagem principal, Almost Famous caminha, sempre, ao lado da música. Música essa que, nos 70's ou hoje, é fonte inesgotável de vida. E é sempre bom celebrar a vida.
E é quando vemos filmes assim que ousamos imaginar o que seria de nós sem música. E depois, quando tentamos explicar porque é a música tão importante na nossa vida e do que é que mais gostamos nela, recordamos Almost Famous e citamos:
"- What do you like more about music?
- Everything!"
sexta-feira, 6 de Novembro de 2009
Dare Mo Shiranai

E se, de repente...
Os adultos fossem crianças. Inseguros, egoístas e irresponsáveis.
E as crianças fossem adultos. Sem infância, genuínos, honrados e responsáveis.
Como seria?
Nobody knows...
E se, por artes mágicas, o optimismo palpável em cada criança se desvanecesse porque a vida a isso os obrigou.
Como seria?
E se fosses tu?
Nobody knows...
E se o teu sonho fosse ver um avião e ter amigos para brincar. Se o teu sonho fosse ver uma planta crescer, num local onde só os sonhos não morrem, como seria?
Nobody knows...
E se Kore-eda não existisse e se não nos tivesse dado esta (e outras) pérola? Se aquela capacidade de transformar o triste em belo não existisse, como seria?
Nodoby knows...
Se o Japão não fosse o país ambíguo que cada vez mais parece ser e se a metrópole fascinante não escondesse o que parece esconder, como seria?
Nobody knows.
Se o Akira, a Kyoko, o Shigeru e a Yuki não fossem só imaginação, como seria?
...
Mas o Akira, a Kyoko, o Shigeru e a Yuki existiram mesmo. Com outros nomes. Noutro tempo. Não tão distante assim.
E o que mudou?
Ninguém sabe.
quinta-feira, 29 de Outubro de 2009
Amazing Grace: Jeff Buckley

Em 2004 Laurie Trombley e Nyla Bialek Adams decidiram fazer algo que a todos nós já nos passou pela cabeça: homenagear Jeff Buckley.
Para atingir tal pretensão resolveram realizar um documentário sobre não tanto a vida de Jeff Buckley mas, mais importante ainda, sobre a sua influência, a sua marca e o que mudou com a sua música.
Num registo curto, 60 min, somos brindados com imagens inéditas de bastidores, de estados de alma, mescladas com depoimentos de companheiros de palco, amigos, familiares e, mais importante, depoimentos nossos: dos admiradores.
Confesso que não tinha conhecimento da existência deste documentário, o que se compreende pois a sua edição em DVD só agora aconteceu.
Chegou-me como uma das três partes que compõe a magnífica edição comemorativa do 15º aniversário de "Grace": Jeff Buckley - Grace Around The World.
Nesta obrigatória obra, temos um DVD composto por actuações inéditas de Buckley, recriando o alinhamento de "Grace", pontuada com entrevistas do próprio nos anos de 94/95; temos também um CD áudio dessas mesmas actuações, e, finalmente, a edição do documentário que aqui me trouxe.
É, obviamente, uma obra que só pode agradar a quem conhece a genialidade de Jeff Buckley.
Porque, como bem nos lembra o músico:
"Grace is what matters. In anything. Especially life.
It sort of keeps you alive..."
sábado, 17 de Outubro de 2009
Aruitemo Aruitemo

Hirokazu Kore-eda é alguém que desconhecia.
Não sabia nada sobre a sua obra mas, mal li as primeiras críticas a este Aruitemo Aruitemo (Still Walking, título internacional) fiquei a querer conhecer.
Infelizmente o seu último filme só estreou na capital do país e, assim sendo, nenhum constrangimento moral imperou na hora de o ver a partir de outros meios.
Adiante.
A acção localiza-se no Japão e, no entanto, poderia ser aqui ao lado. Cá dentro.
É a história de uma família, um estudo de personagens diria eu, que se reúne num esporádico encontro familiar.
É a história de um drama que está sempre lá, mesmo quando cantam.
É a história dos encontros à mesa, com conversa que tememos não conseguir absorver na plenitude. É a história dos costumes. Iguais em todo o mundo.
É a história dos medos, dos desafios e dos traumas.
É a história das paisagens japonesas, do seu encanto e da sua cor. E das suas flores.
É a história das pessoas. Nem boas nem más. Pessoas.
É uma história verídica. Pelo menos só vemos ali autenticidade. Andando.
É o mundo que Kore-eda nos quis mostrar.
E é perfeito!
Não sabia nada sobre a sua obra mas, mal li as primeiras críticas a este Aruitemo Aruitemo (Still Walking, título internacional) fiquei a querer conhecer.
Infelizmente o seu último filme só estreou na capital do país e, assim sendo, nenhum constrangimento moral imperou na hora de o ver a partir de outros meios.
Adiante.
A acção localiza-se no Japão e, no entanto, poderia ser aqui ao lado. Cá dentro.
É a história de uma família, um estudo de personagens diria eu, que se reúne num esporádico encontro familiar.
É a história de um drama que está sempre lá, mesmo quando cantam.
É a história dos encontros à mesa, com conversa que tememos não conseguir absorver na plenitude. É a história dos costumes. Iguais em todo o mundo.
É a história dos medos, dos desafios e dos traumas.
É a história das paisagens japonesas, do seu encanto e da sua cor. E das suas flores.
É a história das pessoas. Nem boas nem más. Pessoas.
É uma história verídica. Pelo menos só vemos ali autenticidade. Andando.
É o mundo que Kore-eda nos quis mostrar.
E é perfeito!
quinta-feira, 15 de Outubro de 2009
Los Abrazos Rotos

Poderia continuar a falar de Synecdoche, New York sem me cansar.
Falaria do que a 4ª visualização permitiu conhecer, dos detalhes que a 5ª deixou, e do mundo sensorial que todas as que se seguirem me irão transmitir.
Poderia. Mas depois perdia a piada e tornava-se monótono estar sempre a falar do mesmo filme, ainda que a cada nova visualização um novo filme pareça nascer.
Assim sendo, e para que o mundo sensorial não desapareça da agenda, trago (tardiamente) a minha impressão sobre o novo filme desse ícone sensorial que é Pedro Almodóvar.
Sou parcial quando toca a Almodóvar. E não o nego.
Hable con Ella habita o restrito lote dos filmes de uma vida e toda a sua recente filmografia consegue ser um misto de "mais do mesmo" com uma permanente exclamação de admiração. E essa capacidade de se reinventar sem sair do seu mundo é, convenhamos, fascinante.
Em Los Abrazos Rotos Almodóvar não inventa a roda. Que fique claro.
É, a maioria assim o diz, um Almodóvar menor, a perder fôlego, e alguns, muitos, começam já a interrogar-se se não será o princípio do fim.
Não me parece.
Há em Los Abrazos Rotos muito do que faz de Almodóvar o que é hoje. O seu toque é detectável. Mesmo de olhos fechados.
A cor está toda lá.
A história, umas melhores outras piores, nunca me pareceu ser o essencial de Almodóvar. E mais uma vez se confirma.
O seu maior mérito, julgo, é o de fazer de uma banal história uma experiência cinematográfica invulgar. Seja pelo tom; seja pela cor; seja pelos magníficos diálogos (e temos aqui grandes pérolas); seja pela espantosa capacidade de dirigir actores ou, e é essa a grande marca na maioria dos casos, pela emoção que cada take representa.
Para essa marca indelével muito contribuem os actores, que Almodóvar escolhe como poucos, que crescem sob o seu comando.
Se Penélope Cruz é a actriz que todos conhecem em boa medida a Almodóvar o deve. E aqui presenteia-nos com mais uma interpretação de óptimo nível.
Do restante elenco é Lluis Homar quem leva a nota máxima, seguido de muito perto de Carmen Machi (de quem aproveito para aconselhar essa fabulosa curta metragem de nome La Concejala Antropófaga).
E Lanzarote. Como nunca se viu.
Poder-se-á dizer que esta é uma história menor e que Almodóvar ligou o piloto automático. Haverá quem o faça.
No entanto, na memória, o que ficará é mais uma fantástica partitura sensorial saída da mente do genial autor espanhol.
Com os olhos bem abertos...
Falaria do que a 4ª visualização permitiu conhecer, dos detalhes que a 5ª deixou, e do mundo sensorial que todas as que se seguirem me irão transmitir.
Poderia. Mas depois perdia a piada e tornava-se monótono estar sempre a falar do mesmo filme, ainda que a cada nova visualização um novo filme pareça nascer.
Assim sendo, e para que o mundo sensorial não desapareça da agenda, trago (tardiamente) a minha impressão sobre o novo filme desse ícone sensorial que é Pedro Almodóvar.
Sou parcial quando toca a Almodóvar. E não o nego.
Hable con Ella habita o restrito lote dos filmes de uma vida e toda a sua recente filmografia consegue ser um misto de "mais do mesmo" com uma permanente exclamação de admiração. E essa capacidade de se reinventar sem sair do seu mundo é, convenhamos, fascinante.
Em Los Abrazos Rotos Almodóvar não inventa a roda. Que fique claro.
É, a maioria assim o diz, um Almodóvar menor, a perder fôlego, e alguns, muitos, começam já a interrogar-se se não será o princípio do fim.
Não me parece.
Há em Los Abrazos Rotos muito do que faz de Almodóvar o que é hoje. O seu toque é detectável. Mesmo de olhos fechados.
A cor está toda lá.
A história, umas melhores outras piores, nunca me pareceu ser o essencial de Almodóvar. E mais uma vez se confirma.
O seu maior mérito, julgo, é o de fazer de uma banal história uma experiência cinematográfica invulgar. Seja pelo tom; seja pela cor; seja pelos magníficos diálogos (e temos aqui grandes pérolas); seja pela espantosa capacidade de dirigir actores ou, e é essa a grande marca na maioria dos casos, pela emoção que cada take representa.
Para essa marca indelével muito contribuem os actores, que Almodóvar escolhe como poucos, que crescem sob o seu comando.
Se Penélope Cruz é a actriz que todos conhecem em boa medida a Almodóvar o deve. E aqui presenteia-nos com mais uma interpretação de óptimo nível.
Do restante elenco é Lluis Homar quem leva a nota máxima, seguido de muito perto de Carmen Machi (de quem aproveito para aconselhar essa fabulosa curta metragem de nome La Concejala Antropófaga).
E Lanzarote. Como nunca se viu.
Poder-se-á dizer que esta é uma história menor e que Almodóvar ligou o piloto automático. Haverá quem o faça.
No entanto, na memória, o que ficará é mais uma fantástica partitura sensorial saída da mente do genial autor espanhol.
Com os olhos bem abertos...
sábado, 10 de Outubro de 2009
Synecdoche, New York

"Eu acho que vi uma obra-prima.
Acho.
Vou confirmar."
09-10-2009
Não me peçam para explicar o que vi. Não sei bem.
Ou melhor dizendo, acho que sei mas só na 5ª ou 6ª vez que vir o filme conseguirei assimilar tudo aquilo que penso ter visto e poderei, então, escrever algo com coerência.
Ou nem aí...
A vida é um palco e todos nós somos actores. Principais.
Uns precisam de um bom director para saber qual o caminho que devem seguir, outros limitam-se a aceitar o destino. Mesmo que isso seja viver numa casa a arder...
Uns arrependem-se do que não fizeram, outros apenas não fizeram.
Acho.
Vou confirmar."
09-10-2009
Wow!
Continuo a achar que vi uma obra-prima. O segundo visionamento não alterou essa convicção.Não me peçam para explicar o que vi. Não sei bem.
Ou melhor dizendo, acho que sei mas só na 5ª ou 6ª vez que vir o filme conseguirei assimilar tudo aquilo que penso ter visto e poderei, então, escrever algo com coerência.
Ou nem aí...
A vida é um palco e todos nós somos actores. Principais.
Uns precisam de um bom director para saber qual o caminho que devem seguir, outros limitam-se a aceitar o destino. Mesmo que isso seja viver numa casa a arder...
Uns arrependem-se do que não fizeram, outros apenas não fizeram.
Charlie Kaufman é assim, desconcertante. Dá-nos uma história, "bigger than life", e deixa ao nosso critério o julgamento que dela fazemos.
Já o tinha feito em "Eternal Sunshine of the Spotless Mind" ou em "Adaptation" mas sem atingir este brilhantismo.
Talvez decorra do facto de ser ele o realizador, pela primeira vez, ou, mais certo, talvez seja pela presença de Seymour Hoffman, o melhor actor americano do momento (e não se discute).
Muitos irão vê-lo como um filme pretensioso, outros como o enésimo devaneio da mente criativa de Kaufman. Não faz mal.
Eu, pelo menos, irei vê-lo como uma das mais belas formas de analisar a natureza humana. Aquele que nos define como actores deste palco chamado vida.
Onde cometemos erros, montes deles; somos complicados, porque sim; não damos valor às coisas pequenas, porque tudo tem que ser "em grande"; e onde não percebemos que em cada final nasce um princípio e em cada princípio há um final que nos espera.
Synecdoche, New York é a minha vida, a tua, a tua e a tua. À superfície pode não parecer mas, lá no fundo, ainda que alguns tenham que ir mesmo ao fundo, está lá tudo.
Porque, afinal, nós somos todos iguais.
Somos todos actores principais.
Standing ovation, please!
Já o tinha feito em "Eternal Sunshine of the Spotless Mind" ou em "Adaptation" mas sem atingir este brilhantismo.
Talvez decorra do facto de ser ele o realizador, pela primeira vez, ou, mais certo, talvez seja pela presença de Seymour Hoffman, o melhor actor americano do momento (e não se discute).
Muitos irão vê-lo como um filme pretensioso, outros como o enésimo devaneio da mente criativa de Kaufman. Não faz mal.
Eu, pelo menos, irei vê-lo como uma das mais belas formas de analisar a natureza humana. Aquele que nos define como actores deste palco chamado vida.
Onde cometemos erros, montes deles; somos complicados, porque sim; não damos valor às coisas pequenas, porque tudo tem que ser "em grande"; e onde não percebemos que em cada final nasce um princípio e em cada princípio há um final que nos espera.
Synecdoche, New York é a minha vida, a tua, a tua e a tua. À superfície pode não parecer mas, lá no fundo, ainda que alguns tenham que ir mesmo ao fundo, está lá tudo.
Porque, afinal, nós somos todos iguais.
Somos todos actores principais.
"What was once before you - an exciting, mysterious future - is now behind you. Lived; understood; disappointing. You realize you are not special. You have struggled into existence, and are now slipping silently out of it. This is everyones experience. Every single one. The specifics hardly matter. Everyone is everyone. (...) All her meager sadnesses are yours; all her loneliness; the gray, straw-like hair; her red raw hands. Its yours. It is time for you to understand this.
Walk.
As the people who adore you stop adoring you; as they die; as they move on; as you shed them; as you shed your beauty; your youth; as the world forgets you; as you recognize your transience; as you begin to lose your characteristics one by one; as you learn there is no-one watching you, and there never was, you think only about driving - not coming from any place; not arriving any place. Just driving, counting off time. Now you are here. Now you are here. Now you are...
Gone."
Walk.
As the people who adore you stop adoring you; as they die; as they move on; as you shed them; as you shed your beauty; your youth; as the world forgets you; as you recognize your transience; as you begin to lose your characteristics one by one; as you learn there is no-one watching you, and there never was, you think only about driving - not coming from any place; not arriving any place. Just driving, counting off time. Now you are here. Now you are here. Now you are...
Gone."
Standing ovation, please!
terça-feira, 6 de Outubro de 2009
Entre os Dedos

A vida sem cores. Real.
A fugir. Entre os dedos.
Entre os dedos é um novo patamar no cinema português.
A realidade está aqui, crua, directa.
Entre os dedos é um novo patamar no cinema português.
Temos actores. A representar.
Entre os dedos é um novo patamar no cinema português.
Corajoso e audacioso. Sem rodeios.
Entre os dedos é um novo patamar no cinema português.
Com silêncios. Pretos.
Entre os dedos é um novo patamar no cinema português.
Segue um caminho. Sem atalhos.
Entre os dedos é um novo patamar no cinema português.
Fala da morte. Analisa a vida.
Entre os dedos é um novo patamar no cinema português.
Tem um Paulo e uma Lúcia. Com espelhos.
Entre os dedos é um novo patamar no cinema português.
Com música minimalista. Porque a vida, às vezes, é assim.
Entre os dedos é um novo patamar no cinema português.
É a vida sem cor. A fugir.
Entre os dedos...
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