Quinta-feira, 17 de Novembro de 2011

George Harrison: Living in the Material World


Todos temos um momento na nossa vida em que damos de caras com a importância e o valor dos Beatles.
Alguns, como eu, não aprofundam esse valor e conhecem pouco mais que o mainstream.
Outros, como o Ramon, são devotos da religião e, como tal, têm uma certa superioridade moral quando se fala da causa.
Foi por ele que tive conhecimento que o último devaneio artístico do sr. Scorsese já estava entre nós, nada mais nada menos do que um documentário, à imagem de No Direction Home: Bob Dylan, sobre o "quiet one" George Harrison.
Recebida a entusiástica aprovação de Ramon, e sendo eu um enorme Scorsesiano nada mais restava do que ver o produto.

E aqui chegamos, pouco tempo após a visualização do duplo dvd que adquiri de olhos fechados.
George Harrison: Living in the Material World é o retrato, fiel e recheado de relíquias, do percurso de transformações e realizações de Harrison.

Com testemunhos vários, arquivos únicos e a qualidade de detalhe de Scorsese, o documentário aqui contido não é mais do que o óbvio:

The Life of George.


Sexta-feira, 21 de Outubro de 2011

Bruce Springsteen & The E Street Band - London Calling Live in Hyde Park


A repetir incessantemente no meu leitor de DVD anda esta incrível pérola que o Boss nos deixa como espelho da sua carreira.
Recheado de hits e momentos arrepiantes, o que transparece de London Calling in Hyde Park é, mais do que o brilhante som que emana, a sensação de comunhão com todos que o escutam, a sensação de perfeição e a classe de um artista ímpar.

Acho que devia ser obrigatório ver estas quase 3 horas de puro prazer para, entre outras maravilhas, assistir a coisas como o final desta belíssima Racing in the Street.



With you, The Boss!

Domingo, 9 de Outubro de 2011

Senna


Ayrton Senna da Silva,
A pessoa que me fez chorar no dia 1 de Maio de 1994.
A pessoa que me fez acordar hoje as 6.00hrs para ver uma corrida de F1.
O Maior de todos!

Sem palavras...

Emocionado :(

Domingo, 26 de Junho de 2011

O Ex-Funcionário


Passam já 7 dias desde que o ex-funcionário traiu todos aqueles que nele acreditaram.
Passam 7 dias e o assunto deve morrer, sem que, no entanto, deixe de ficar registado.

Não é cinema mas este blog foi dando, em ocasiões especiais, um pulo ao outro azul (que não o céu) que interessa.

Com a devida referência ao fórum "Portal dos Dragões" (de que, infelizmente, não faço parte) e em especial a 2 users ("DrGero" pelo texto e "finz" pela imagem) deixo um texto que traduz o meu pensamento final sobre o ex-funcionário.

"A questão de sermos usados por um treinador ou jogador não é grave.

No futebol como na vida o que conta é avaliar as expectativas de cada uma das partes.

Não me importo de ser “usado” se tenho consciência disso e também me aproveito dessa relação (profissional, pessoal, etc).
Nesse caso há um toma lá dá cá.

Eu senti isso com o Mourinho. Cada minuto que cá esteve era idolatrado mas senti sempre que os projectos (dele e do FCP) eram diferentes embora tivessem conjunturalmente o mesmo objectivo. Quando há a cena da camisola do Rui Jorge ele diz várias vezes que o lugar dele não era o futebol português. Todos nós sabíamos que tínhamos que o usar como ele nos usou a nós.

A forma como saiu, o amuo é mais uma expressão narcisista de querer ter os holofotes para ele voltados. Ou aparece aos saltos para ser filmado ou se esconde para todos notarem a falta. Não há meio-termo.
O Mourinho, como o Viilas-Boas percebem que a parte comunicacional vale mais do que a componente táctica. As guerras que compram, aquilo que dizem são trabalho para adeptos e equipa.

A forma de lá chegar é diferente. Um é actor e o outro um ilusionista.

Essa é a diferença. O discurso do Mourinho centra nele os focos utilizando para isso o expediente de “ser ele a dar o peito às balas” para que os jogadores se focalizem só no que interessa.

Nada mais falso. Quando o faz é para que nunca fiquem dúvidas quem é o responsável pelo maior quinhão de sucesso. É o Chelsea do Special One, o Inter de Mourinho e o Madrid de Mou. Nas conferências de imprensa utiliza estatísticas pessoais em vez de pôr no palco as Estatisticas do clube que representa.
“Eu já ganhei ao Lyon, eu nunca perdi em casa, eu já eliminei o Barcelona”.

Está intrínseco que o trabalho é um imenso espelho individual. Ele trabalha nas equipas mas para o mundo parece que as equipas é que se servem DELE para ganhar.

No fim do primeiro ano do Inter o AVB quer mais e o Mourinho dá-lhe com os pés. Nunca saberemos o que se passou mas tenho para mim, agora mais do que nunca, que deu molho e do grosso coisa que Mourinho nunca conseguiu esconder pelo silêncio e o AVB desvalorizou pela “humildade”.

Não acredito que nesse momento o AVB tenha gizado uma vendetta pessoal anti-Mourinho. Não há nada que lhe tolde o raciocínio.

Seguiu a sua carreira com a mesma noção de Mourinho da importância da vertente comunicacional mas com uma abordagem diferente porque ele ainda era um trapezista sem rede. Não tinha curriculum para tudo centrar nele.

A chegada ao Porto deve ao discurso moderno, ao ser filho da casa, à história Robson, ao sucesso do Mourinho e à qualidade na Académica.

Sabe que não tem rede e sabe a importância do discurso. É mais discreto e observador que o Mourinho e como normalmente quem menos fala mais observa sabe perfeitamente o que os portistas querem. E quando digo portistas incluo a estrutura, o Pinto da Costa.

a) O discurso de portista é óbvio. Isso já tínhamos tido com Oliveira o que ajuda mas não chega para galvanizar. Foi utilizado como uma das coordenadas.

b) As piadas ao Benfica e o espírito guerrilheiro outro. Ele sabia que era disso que gostávamos.
As guerras do Mourinho eram colectivas mas ele afinou a coisa para um perfil de piada de adepto. Depois do estilo sóbrio e coerente de 4 anos de JF esse tipo de abordagem era água no deserto. Mobilizava o grupo de trabalho e encantava os adeptos. Encantar é mesmo a palavra.

c) Mas há um ponto crucial em toda essa estratégia. Mourinho. Não como uma vendetta dele mas como uma percepção de uma vendetta nossa.

Basta ir ao tópico da Champions para perceber que ficou um azedume enorme em toda a nação portista com o Mourinho. Por ter saído da forma como saiu, por não festejar, por ser arrogante, por achar que o Porto ganhou por Ele e que sem ele nada daquilo seria possível.

Ficaram resquícios disso em grande parte da nação portista. Ele que é um sobredotado com a capacidade de em meia dúzia de abordagens encantar o Robson a tal ponto de lhe patrocinar a carreira percebe essa pedra de toque e usa-a de forma a que a rede que lhe fazia jeito se transformasse numa cama elástica.

O Mourinho não festeja com os adeptos? Eu festejo porque sou um deles.
O Mourinho era um tipo ambicioso e via o porto como trampolim? Para mim é a meta porque esta é a minha cadeira de sonho.
O Mourinho evidencia o seu talento táctico como base do sucesso? Eu escondo-o dizendo que o que importa são os jogadores.
O Mourinho acha-se especial? Pois bem então eu sou banal.
O Mourinho está no Real Madrid e diz que quer treinar a selecção por umas semanas? A mim não me interessa porque só penso nisto. Na minha cadeira.
O Mourinho planeia uma carreira de 30 anos? Eu só quero 15 porque o futebol é mais do que ambição pessoal. É sociologia.
Italia, Espanha, Inglaterra? Eu é Japão, Chile e Argentina.

Ele fez-nos crer que o que fizemos de épico sobre os comandos de um vilão e que parecia irrepetível podia ser realizado desta vez pelo herói que demonstraria a todos que o que importa é o PORTO e não o génio de um treinador.

Fez tudo isto porque é um fabuloso treinador e que percebe a importância do psicológico, do comunicacional, do elan na vitória.

Enquanto o Mourinho se julga uma mega-onda ele envolve todos (como diz agora no Chelsea) num gigantesco tsunami dizendo o que é preciso, quando é preciso.

Autenticidade ZERO. Discurso comunicacional 1 MILHÃO.

É de tal forma eficaz que tem o mesmo efeito do Mourinho mas faz parecer que aquilo não é estratégia em prol dum objectivo.

Não é estratégia, é honestidade, autenticidade e paixão.

Faz com que todos se sintam como guerrilheiros à boa maneira de Braveheart. Vendou-nos os olhos, anestesiou o raciocínio.

Manipulação de massas tocando nos pontos que tinha que tocar. Todos a acreditar no herói. O Beto a chorar no balneário. Brilhante.

O PdC a pôr as mãos no fogo por ele mesmo sabendo que 15M não eram inalcançáveis. A ilusão da raposa velha. A ilusão de todos.

As qualidades tácticas estão lá como estão em dezenas de treinadores.
Esta capacidade comunicacional é única porque não parece premeditada ao contrário do Mentor.

Estamos num mundo em que precisamos de acreditar em algo. De nos emocionar por algo. De ter um líder que nos inspire e que seja um de nós.
Que seja humilde.

Ele sabe disso e deu-nos o que queríamos para chegar onde queria.

Pode ser contraditório mas sem esta táctica poderíamos não ter ganho o que ganhamos da forma como ganhamos.
Genial treinador.

Devíamos estar gratos?
Nem por sombras. É um traidor da pior espécie.
Era como se um dos capitães do 25 de Abril na realidade estivesse feito com a PIDE.
A revolução era feita na mesma mas o idealismo e a crença no próximo eram arrebentados."

DrGero (22-06-2011 19:39:09)

Sexta-feira, 3 de Junho de 2011

The Tree of Life v.2


A segunda visualização era obrigatória (penso que a terceira ainda ocorrerá) mas as palavras não lhe fazem justiça.
A não ser que se consiga a colaboração de alguém com o dom da palavra.

Com vocês, e em colaboração especial, a opinião de SM.

"Não resisto a recomendar uma experiência catártica, visual e espiritual sem paralelo no cinema actual. Não é 3D e no entanto tem mais dimensões que a própria vida. A origem da vida em paralelo com a própria origem e formação de um ser humano forjada nas dores do crescimento. Terrence Malick sabe que crescer é sofrer. Ficar entalado entre o amor maternal, desmesurado e incondicional, e a pressão – que não deixa de ser amor – paternal. Um ensina-nos a amar. “Love everyone. Love every leaf, every ray of light.”. Outro ensina-nos a resistir ao mundo agreste que nos espera. “I've just always wanted you to be strong, be your own man”. Ambos dão o melhor, o que têm e o que não têm, e ambos vivem para sempre dentro do saco de recordações em que se torna um adulto. Jack, adulto, sabe que a vida não é fácil, a ganância e a manipulação imperam na prisão de aço e vidro onde trabalha em contraponto com o chão de relva e o céu de árvores onde cresceu.

A simbologia das árvores é fortíssima, e não é por acaso a sua presença no título e a sua constância no filme. Desde os tempos imemoriáveis que são consideradas um elo de ligação entre os homens e os deuses.

Sem ser dogmático é um filme religioso no sentido em que a música de Mozart, por exemplo, também o é. E isso torna-o uma experiência única e sem paralelo. Se a música nos aproxima do divino, raríssimas são as imagens que por si só o conseguem. Num trabalho de montagem estonteante a música surge como uma aliada natural das imagens potenciando-as até um limite quase doloroso para nossos duros sentidos. Quando o filme acaba já estamos rendidos e queremos mais, mais poesia, mais vida.

Onde estão os deuses da nossa infância. O que somos nós para eles, ouve-se no início do filme. Expulsos do paraíso da infância, perdemos os primeiros deuses que conhecemos. Preces, perguntas e queixumes atravessam o filme, os adultos são prisioneiros da razão, daí que a personagem da mãe seja quase angelical, também ela uma árvore da vida, também ela um elo de ligação com o divino.

A árvore da vida é também a da morte, morte que está presente desde o início, servindo de ignição ao ténue eixo narrativo, enluta o filme com um sentimento de perda inabalável, acelerando, por exemplo no caso de Jack, o caleidoscópio das recordações.

Agustina Bessa-Luís disse uma vez que toda a mística é poética e nós vivemos numa época sem mística e, portanto, sem poesia. Este filme, este objecto, poderá ser uma gloriosa excepção a essa sentença. Um meteoro destes só aparece de vez em quando e quando aparece deve ser visto numa sala de cinema, local para o qual foi feito.

SM"

Obrigado a SM por tão bem expressar aquilo que The Tree of Life representa.

Quinta-feira, 26 de Maio de 2011

The Tree of Life


O novo Malick é o que dele já se esperava: essencial e obrigatório.
Essencial porque Terrence Malick faz falta ao cinema, e de cada vez que abandona a sua "caverna" o sol brilha com outra cor.
Obrigatório porque as obras-primas são cada vez mais escassas e não convém desperdiçar oportunidades. Até porque um Plasma, LED ou LCD caseiro nunca será um "grande ecrã".

Da vida e de nós, é este o fio condutor de The Tree of Life, um filme maior do que o tempo.
Das imagens que valem por milhões de palavras, e das palavras que encaixam no nosso puzzle.

Do sentir e do gostar. Do mudar e do entender.
Do viver e do amar.
Sempre.

"Unless you love, your life will flash by".


Segunda-feira, 4 de Abril de 2011

O nosso destino!



Porque nem no melhor guião seria tão...perfeito!

Obrigado a todos os actores!

Sexta-feira, 4 de Março de 2011

True Grit


E assim se fez um clássico!

Se a fotografia de Roger Deakins não deslumbrar.
Se a marca Coen não bastar.
Se Jeff Bridges não esmagar.
Se Haille Steinfeld não conquistar.
Se "Leaning on the everlasting arms" não tocar.

Se tudo isso não chegar, lembrem-se:
"Time just gets away from us..."


Segunda-feira, 28 de Fevereiro de 2011

Somewhere



I'll try anything once (The Strokes)
toca nos meus ouvidos enquanto escrevo estas singelas palavras que não farão justiça ao último trabalho de Sofia Coppola.
Está dado o tom, e num flash (longo e com luz própria como Sofia sabe) Somewhere volta a percorrer a minha mente e sinto que estou de novo no Chateau Marmont Hotel, prestes a iniciar a minha viagem.

Tal como nos anteriores filmes de Sofia Coppola faltam as palavras. Nos seus filmes e a nós, espectadores.
Não é um Lost in Translation v.2, nem tenta sê-lo, diga-se desde já. É o mundo de Sofia, biográfico (talvez), estilizado, silencioso, e bom. Muito bom, mesmo.

Belíssimo, como todos os anteriores, Somewhere "narra" o quotidiano de uma estrela hollywoodesca, um playboy sem rumo aparente, que passa pela vida sem perceber que por mais voltas que se dê, o caminho faz-se caminhando.

Para alguns (todos?) será um espelho, para outros uma janela.
Somewhere...


Quarta-feira, 9 de Fevereiro de 2011

Greenberg



O mais recente (2010) trabalho de Noah Baumbach volta a percorrer os caminhos das relações humanas centradas na descoberta do eu.

Saudações das profundezas humanas parece querer dizer Baumbach mais uma vez. Lá está o seu humor negro, a sua capacidade de tornar simples o complexo e de criar diálogos pejados de citações futuras. Cinco anos depois de The Squid and the Whale, e ainda que em tom ligeiramente menor, voltamos a sentir a paleta de cores do universo Baumbachiano em todo o seu esplendor.

Ben Stiller, naquele que será o seu mais bem conseguido desempenho até à data, é o protagonista desta narrativa sem, aparente, rumo.
Como par, de caminhada interior, e co-protagonista está a (para mim) desconhecida Greta Gerwig. Num registo menos contido a sua Florence é a alma de todo o filme, e o casting perfeito para contracenar com o Roger Greenberg de Stiller. Parabéns a Baumbach pela escolha.

Num tom de crónica, diário até, Greenberg conta-nos, pela pele do protagonista, a sucessão de dúvidas e desafios através dos quais o ser humano procura crescer. São pinceladas da natureza humana que contam com uma belíssima banda sonora (James Murphy dos LCD Soundsystem).

Sendo um filme tão marcadamente de autor, Greenberg sofreu as críticas fortes que o cinema "diferente" costuma sofrer. Felizes dos que conseguem gostar do género e perceber que num olhar ou num gesto (há alguns momentos de notável interpretação minimalista) está muito do que se procura num filme.

Vale a pena continuar a tomar nota do nome de Baumbach e vale a pena ver este Greenberg, mais que não seja pelo seu final, que, sem desvendar nada, vale por si só os 107 min de película.

"You like me so much more than you think you do."