Sábado, 5 de Fevereiro de 2011

Black Swan



João Lopes tem razão. As unanimidades em época de galardões são algo que nos tolda o discernimento e facilitam a análise.
João Lopes tem também razão quando afirma que recomendar filmes é inútil porque cada olhar vê à sua maneira.
João Lopes "recomenda" Black Swan por isso mesmo.

Eu procuro ler sempre a opinião de João Lopes sobre um qualquer filme. Na larga maioria dos casos concordo com o seu olhar.
João Lopes não gostou de Black Swan que apelida de "insultuoso para o ballet".
Eu, que de ballet nada sei, concordo com João Lopes: "nenhum olhar coincide com outro".

Mas afinal, e aos meus olhos, o que é então Black Swan (esse furacão de unanimidade)?
Viram The Wrestler e sentiram a proximidade da câmara? O pulsar de Mickey Rourke?
Esqueçam a face desfigurada de Rourke e pensem em Natalie Portman.
Troquem o wrestling por ballet (ainda que talvez insultuoso) e... mais não digo.

Visualmente forte, visceral e inquietante, Black Swan assenta nos finos ombros dessa grande actriz que dá pelo nome de Natalie Portman.
Num papel que não conseguimos ver noutro corpo, Natalie Portman transcende-se e, num aparente overacting, é o mais credível que poderíamos pedir.

Tudo tem a marca de Aronofsky (desde a proximidade da câmara, ao jogo de luzes, à musicalidade de Mansell), claro e quem não gosta poderá sentir-se defraudado e apelidar, então, a unanimidade como culpada de 105 minutos perdidos.

Quem gosta, quem acredita que tudo aqui tem um fundamento que não a unanimidade, ficará rendido e terá a tentação de dizer:

"I felt it. Perfect."