Quarta-feira, 9 de Fevereiro de 2011

Greenberg



O mais recente (2010) trabalho de Noah Baumbach volta a percorrer os caminhos das relações humanas centradas na descoberta do eu.

Saudações das profundezas humanas parece querer dizer Baumbach mais uma vez. Lá está o seu humor negro, a sua capacidade de tornar simples o complexo e de criar diálogos pejados de citações futuras. Cinco anos depois de The Squid and the Whale, e ainda que em tom ligeiramente menor, voltamos a sentir a paleta de cores do universo Baumbachiano em todo o seu esplendor.

Ben Stiller, naquele que será o seu mais bem conseguido desempenho até à data, é o protagonista desta narrativa sem, aparente, rumo.
Como par, de caminhada interior, e co-protagonista está a (para mim) desconhecida Greta Gerwig. Num registo menos contido a sua Florence é a alma de todo o filme, e o casting perfeito para contracenar com o Roger Greenberg de Stiller. Parabéns a Baumbach pela escolha.

Num tom de crónica, diário até, Greenberg conta-nos, pela pele do protagonista, a sucessão de dúvidas e desafios através dos quais o ser humano procura crescer. São pinceladas da natureza humana que contam com uma belíssima banda sonora (James Murphy dos LCD Soundsystem).

Sendo um filme tão marcadamente de autor, Greenberg sofreu as críticas fortes que o cinema "diferente" costuma sofrer. Felizes dos que conseguem gostar do género e perceber que num olhar ou num gesto (há alguns momentos de notável interpretação minimalista) está muito do que se procura num filme.

Vale a pena continuar a tomar nota do nome de Baumbach e vale a pena ver este Greenberg, mais que não seja pelo seu final, que, sem desvendar nada, vale por si só os 107 min de película.

"You like me so much more than you think you do."